sexta-feira, 26 de março de 2010

Comportamento Infantil


Socialização infantil no ambiente familiar

Uma das mais importantes funções dos pais é o processo de socialização da criança, ensinando-lhe os padrões de conduta e de moral, de acordo com a cultura em que vivem e acreditam ser o ideal.

Desde o nascimento, o bebê observa o mundo ao seu redor e, em especial, seus próprios pais, ou seja, o modo como se comportam, sentem e expressam seus sentimentos e atitudes de agrado e desagrado.

Por volta dos sete, oito meses e que coincide com o momento em que se percebe um ser diferenciado da mãe, a observação começa a apresentar um objetivo prático: a imitação. É através da imitação que se dá a maior aprendizagem da criança. Ela vai absorvendo tudo o que consegue e é possível, de acordo com sua maturação.

O modo como os pais reagem à imitação infantil, com risadas e elogios ou críticas negativas, vai incentivar ou reprimir o bebê, uma vez que ele pode imitar também os aspectos não aceitáveis do comportamento e atitudes paternas.

É aqui que se deve tomar muito cuidado, já que a tendência dos adultos é acreditar que os bebês não prestam atenção ou mesmo não compreendem o que estão vendo e ouvindo.

Pode-se dizer que muitos dos padrões e valores a criança aprende por observação dos pais e dos adultos mais próximos, como avós, tios e também com irmãos mais velhos e outras crianças de seu convívio.

Como cada criança é um indivíduo único, o modo como os pais interagem com cada filho deverá estar de acordo com o temperamento e personalidade de cada um, apesar de que os valores sociais e morais são os mesmos para todos.

Se a ligação afetiva que se estabelece na família for sólida, à medida que a criança for crescendo adotará comportamentos que sabe são esperados pelos pais e, consequentemente, pela sociedade e cultura na qual estão inseridos. Importante dizer que se ela perceber que ainda é incapaz de alcançar os padrões de comportamento impostos por eles, sentirá muita angústia e desespero. Muita paciência e compreensão neste momento.

A partir dos dois anos e meio, a criança começa a adquirir noções de certo e errado, do bem e do mal. Tornam-se mais sociáveis e compreendem melhor como funcionam as relações. É claro que algumas crianças são mais sociáveis que outras mas, de certa forma, já aceitam mais tranquilamente as que são estranhas, brincando com elas também, principalmente se desde muito cedo conviveram com outros bebês.

Sendo a família o centro do mundo social do bebê, são os pais os modelos de comportamento. Portanto é fundamental que sejam coerentes e constantes com o que esperam que seja aceitável ou não e ajam de acordo, para não confundirem a cabecinha de seu filho.

Entre dois anos e meio e três anos, a criança começa a assimilar que seus atos podem ter consequências, que não pode fazer tudo o que deseja, principalmente se afetar outra pessoa.

É esperado que se ela não ver agressão dentro do ambiente familiar, aprenda a solucionar seus problemas mais adequadamente, muito embora a violência está exposta em todos os veículos de comunicação diariamente, tornando inviável que não tenha contato de alguma forma

Os pais devem lidar com esta questão, discursando sobre a diversidade de comportamentos e de culturas que existe na sociedade e expressando honestamente seus conceitos e sentimentos de aprovação ou desaprovação, conforme o caso.

Cabe aos pais ensinar seu filho a respeitar regras e limites do grupo a que pertencem, formando uma consciência moral e social com muito amor e compreensão, mas sempre com autoridade e disciplina. Afinal, a socialização na esfera familiar funciona como uma preparação para a introdução adequada num universo muito maior.

A agressividade nas crianças pequenas

Uma das grandes dificuldade dos pais é lidar com a agressividade de seus filhos.

Quando o bebê nasce, ele traz impulsos amorosos e agressivos, e a medida que vai sendo cuidado pelos pais, passa a construir vínculos afetivos e a desenvolver seu relacionamento interpessoal.

Essa fase é muito importante, porque assim, ele passa a conhecer o mundo à sua volta e a alicerçar sua personalidade. Sendo assim, é necessário que sinta-se cuidado e protegido.

Com o passar do tempo, a criança tem nos pais um modelo e então relacionam-se com outras pessoas assim como seus pais o fazem. Se têm um relacionamento calmo, é assim que a criança se comportará na maioria das vezes, e se têm um relacionamento mais conturbado, ela provavelmente seguirá esse modelo de comportamento.

O comportamento agressivo na criança é normal e deve ser vivenciado por ela. O grande problema é que ela não sabe como controlá-lo. Normalmente, acontece quando sente-se frustrada ou quando necessita mostrar aos pais que algo não vai bem. Muitas vezes a criança provoca um adulto para que ele possa intervir por ela e controle seu impulso agressivo, já que ela é pequena e não tem condições de fazer por sí própria. Por isso precisa de um "para com isso" ou "eu não quero que você faça". É como se ela pedisse para levar uma bronca. Nessa hora é como se o adulto emprestasse seu controle para a criança.

Assim como os pais a ensinam andar, falar etc... também devem ensinar a criança a controlar sua agressividade e aprender a hora certa de colocá-la para fóra. O importante é que os pais tenham bom senso tomando cuidado para que ela não seja terrorista ou submissa, ou seja, nem permitir tudo para a criança e nem devolver a agressividade dela com outra agressividade.

Educar crianças é uma tarefa difícil e requer trabalho, mas o que vale é tentar acertar, ter equilibrio e consenso entre os pais para que na educação da criança não ocorra falha de dupla comunicação. Se um dos pais permite tudo e o outro não permite nada, isso só confundirá a criança.


As fantasias infantis

A partir do segundo ano de vida a criança passa a viver num mundo de faz-de-conta, paralelo ao mundo real, e que é repleto de seres imaginários.

Como o mundo real ainda lhe é difícil de ser assimilado e aceito, ela cria o seu próprio universo, onde tudo é possível e tem solução. É a fase do pensamento mágico e das projeções.

Nesse seu universo habitam super-heróis, mitos, fadas e monstros, capazes de brincar com ela, bem como fazê-la rir, sentir medo e chorar e, acima de tudo, ajudá-la a se desenvolver.

Como toda fase, um dia passa; para uns mais cedo, para outros mais tarde. Porém, é esperado que, por volta dos seis, sete anos de idade isso tenha terminado, uma vez que já terão se desenvolvido várias funções como a memória, a lógica e a inteligência.

Surge, então, na criança, uma ansiedade tão intensa e aflitiva, que não tem necessariamente relação com qualquer experiência assustadora anterior e cuja origem vai ao encontro do momento de vida que atingiu, quando se inicia a retirada das fraldas e o treino ao penico, o que significa que deve assumir o controle do próprio corpo.

Isto é muito angustiante, pois o fracasso significa decepcionar as figuras parentais que lhe são tão significativas e por quem ainda é tão dependente física e emocionalmente.

A criança expressa seus conflitos através do medo do escuro, de estranhos, de situações novas, do trovão, relâmpago, vento e outros temores que não se constituem fobias. Sente-se fragilizada diante de emoções desconhecidas e que não consegue dominar e compreender.

Daí a necessidade de criar um universo só seu. Na sua lógica, se os super-heróis conseguem subjugar o mal, ela também consegue; ou seja, se eles resolvem seus conflitos, ela também pode fazê-lo. Esses pensamentos mágicos lhe dão um sentido de poder muito forte e contribui para diminuir a sensação de fraqueza e de impotência diante dos adultos.

Assim, ela atribui vida aos objetos e brinquedos, depositando neles seus próprios sentimentos (projeções). É o ursinho de pelúcia que está com raiva porque a mãe brigou com ele ou o soldadinho está triste porque o pai dele foi trabalhar e não o levou junto... enfim, a criança brinca com os bonecos e bichos de pelúcia, como se fossem pessoas de verdade. Desta maneira, ela se liberta, sem culpa, de seus sentimentos negativos, ao expressá-los através dos brinquedos e objetos.

Neste momento, faz-se necessário o redobrar de cuidados, principalmente com janelas ou objetos que ofereçam perigo, pois a criança pode se sentir tentada a imitar o modo de atuar de seus personagens.

Por volta dos três anos, a criança inventa um companheiro imaginário para conversar e brincar. Geralmente este personagem é bom, prestativo e é dirigido e comandado por ela, o que lhe dá uma sensação de controle e poder.

Apesar dos monstros serem figuras aterradoras, os pais não precisam se alarmar, pois justamente por serem criaturas do mal sempre acabam derrotados nas histórias e nos desenhos.

Dentre os mitos, os mais simpáticos e bonzinhos são o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa, pois lhe dão presentes, o que fortalece e enriquece seu senso de auto-estima, por se sentir uma pessoa importante.

Assim, acreditar em Papai Noel é um dos mais significativos encantos infantis e nenhum adulto deve quebrá-lo. Ele é o símbolo do pai bom, compreensivo, amoroso e um notável substituto do pai biológico por ocasião do Natal, principalmente para a criança que não o tem presente na vida cotidiana.

Todas estas fantasias têm a função de equilibrar emocionalmente a criança, permitindo a elaboração e dissipação da angústia e o aplacamento da ansiedade. Funcionam, inclusive, como um processo de autodefesa e de auto-afirmação.

Através do faz-de-conta, a criança aprende também a entender o ponto de vista de outra pessoa, desenvolve habilidades na solução de problemas sociais e a torna mais criativa, acelerando seu desenvolvimento intelectual.

Esta é, portanto, uma etapa fundamental do desenvolvimento infantil, pois é através dela que a criança tenta elaborar seus conflitos e organizar simbolicamente o mundo real.

Os pais não devem participar ativamente do imaginário mirim, nem incentivar ou reprimir. Com o tempo vai declinando de intensidade até desaparecer por completo, como se nunca tivesse existido. Geralmente coincide com um maior domínio da linguagem e com a abertura de novos caminhos para a descarga emocional da criança.

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